domingo, 7 de março de 2010

Hoje faz 7 dias que viajamos...



Eu acordei as 8.30 do dia 13 de outubro e havíamos percorrido 1000 km durante a longa, chuvosa e fria noite patagônica. A minha direita eu só vejo um banhadão. Não sei se é água de chuva parada ou se é um enorme lago natural, pois esta imagem já dura muito tempo e chove torrencialmente sem tréguas...E nós todos com muita fome e nada de encontrarmos um comedor digno de nosso apetite, onde possamos ir a um banheiro, tomar um bom e reforçado café..(ah os cafés da Argentina são tristes, parcos).
O ônibus roda a aproximadamente 40km/h. A previsão é de chegarmos a Buenos Aires as 15hs. Duas curiosidades me chamam a atenção: Em cada sede de propriedade há uma torre com uma espécie de moinho suspenso que gira e ao lado grandes reservatórios de água, a outra são as mini capelinhas com nomes escritos ”Defunta Corea” e outra inscrição que não conseguimos ler. As capelinhas parecem casinhas de cachorro, mas possuem sempre uma cruz, flores, bebidas e muitas possuem bandeiras vermelhas. Neste pais também não há florestas, bosques, matagal, tudo é deserto, descampado, alagado, cerrado e plano, muito plano. Já é meio-dia e ainda não paramos para irmos ao banheiro, tomar café ou outra coisa que quiséssemos. Não há estabelecimento nas margem da estrada que comporte 70 pessoas famintas e então seguimos com a chuva, frio e filme “ Quebrando o Gelo” . Finalmente as 13.30 hs paramos num local chamado Azul: tirei fotos com a Maristela e comemos maaaaaal, queríamos comprar 2 mapas da Argentina, mas não aceitaram nossos cartões de crédito, de raiva abri o freezer dos Gelatos e roubei uma fatia de sorvete, sai lambendo e não paguei. Senti frio, vento gelado na cara, amortecimento da boca, a sensação térmica é mto baixa, estamos a 306 km de Buenos Aires e são 14.30hs.
Seguimos viagem a Guia embarca no nosso ônibus e nos repassa alguns avisos importantes como horários, restaurantes, cassinos. O ônibus nos levará e nos esperará num Navio Cassino. Todos vamos, cambinamos que não vamos jogar! Rsss...
Estamos a 80 km do nosso destino tão esperado. Vejo fazendas de gado, outras de eqüinos, plantações verdes, grandes galpões, e a rodovia sempre reta e lá de vez em quando uma praça de pedágio. Lá fora está muito frio, faz ventos fortes e a chuva deu uma sossegada. Observo que as pessoas estão muito agasalhadas lá fora, imagino que vou passar frio.
Agora o trânsito se intensificou, trafegam tranquilamente caminhões pesados, carros novos, latas velhas. Na margem do asfalto muito lixo jogado, cachorros magros, sarnentos, procurando alimento, aliás, cães neste pais convivem bem em qualquer lugar, tanto nas cidades quanto nos lixos, quanto em postos de gasolinas e restaurantes...A comida daqui é ruim, sem sal, e sem tempero algum, sem boa aparência, fria e cara. Os ambientes são escuros, sujos, mofados, mal iluminados. A cerveja é de litro e custa 4 pesos, a água e o refrigerante e o copo de chocolate quente 3 pesos. As pessoas falam alto, são sem modos, não dão descontos, não são agradáveis, não te atendem bem nas lojas. Agora rodamos numa rodovia muito movimentada, com mão única, muito bem sinalizada. Estamos a 50km de Buenos Aires. Ao longe avistamos lindas residências, bem cercadas. Já são quase 18 hs, estamos todos mortos de cansados a quase 24hs viajando, nosso repertório de piadas secou. Nossa rádio entrou no ar sem muitas novidades. Queremos urgentemente hotel e banho...Percebo que há canais que cortam as fazendas cheios de água, acredito que sirvam para irrigação. Finalmente chegamos a Buenos Aires em meio a uma confusão de favelas, trânsito maluco, prédios antigos, porém bem conservados, edifícios craquentos, vidraças quebradas, calçadas em reformas. Chegamos bem na hora mais crítica do dia, são 18.30 estacionamos no Íbis Hotel na Praça do congresso, Centro da cidade. Que coisa boa, Hotel bom, camas boas, limpas, quentes, e banho maravilhoso. No quarto ficamos eu e Ivete. Fomos jantar aqui perto. Foi bom. Voltamos logo, a Mariângela quis sentar para tomarmos umas Kilmers. Havia alguns argentinos cantando maravilhosamente bem e nos olhando com olhares mordedores....Alguns colegas subiram aos quartos e outras saíram para a balada argentina. Meia noite nos recolhemos... Ufa! Que cama boaaaaaaaa!!!!

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