domingo, 7 de março de 2010

Córdoba inesquecível!!




Desembarcamos em Córdoba, a 1h da manhã do dia 10 de outubro, felizmente num ótimo hotel onde ficamos eu a Ivete e a Mariângela, torcendo pra que logo pela manhã nosso ônibus estivesse pronto, pois nossa viagem já estava atrasada mais de 12h e teríamos um belo Tour, pela Córdoba histórica já incluso no pacote...rssssssss, mas qual foi nossa surpresa quando nos avisaram que deveríamos embarcar numa circular caindo aos pedaços e completamente suja, imunda, fética, rangindo, solavancando mas que era autorizada pela prefeitura municipal, com acompanhamento de uma guia, que só se comunicava em espanhol, muito simpática, porém pouco dava pra ouvir e menos para entendê-la. Aproveitamos e tiramos fotos de Igrejas seculares, praças cheias de obeliscos, afrescos, monumentos. As praças lotadas com famílias fazendo piqueniques ao sol, lá faz frio demais, idosos sentados conversando, de mãos dadas, caminhando devagar, pessoas mais jovens deitadas, abraçadas, caminhando, conversando. Nada de agarro, de beijos, de cenas picantes em público.
Neste dia almoçamos num Comedor enorme, chiquérrimo, 14 pesos por refeição, cerveja de litro, garçons sérios, fazíamos que rissem, que tirassem fotos conosco, a comida era feita no centro do restaurante, a gente podia ficar assistindo fazer nosso prato.Parecia até que eu começava a gostar da Argentina...
Após este almoço fomos ao um shopping para passar as horas, pois nada de nosso ônibus ficar pronto, aliás, nada nem de notícias, nossa corretora de viagens se fazia de surda! Mas chegou um zum-zum que as 16h o ônibus nos pegaria ali, em frente ao shopping. Visitamos uma feira-regional-local muito famosa, mas fedida, muita coisa de couro, velharias, ali se vende, se troca, se barganha, se explora. Muita sujeira, moscas, comidas vendidas sem higiene, cheiro de fritura, cães, idosos, antiguidades, cupins, tudo muito caro, tudo muito feio. Não senti vontade de comprar nada, não queria nem tocar naquelas coisas, pensando que poderia ver coisas bem melhores, pelo menos esperava.
Depois desta frustração, um grupo foi para um boteco em frente o shopping para tomar cerveja de litro: Kilmer, cada um pagava uma...Meu Deus, a gente pensava só em dormir quando o ônibus chegasse e teríamos a noite toda pela frente, para tirar o atraso. Então nos comunicaram que o ônibus nos pegaria pontualmente as 20hs ali próximo. Eu, a Carrapicha, a Mariângela, a Néri Boquessi o esposo e um casal de Mangueirinha e mais outras 4 pessoas saímos para visitar um bairro de Córdoba famosíssimo nos livros de histórias, onde se localizam muitas Igrejas, bibliotecas, a primeira Faculdade, conventos, museus seculares, a catedral mais antiga que levou 200 anos para ser construída e nela existem três estilos de arquitetura de épocas diferentes, pois foram diversas congregações de padres, as responsáveis pela edificação e construção. O guia nos informou que a abóbada caiu três vezes durante sua construção e que matou muitos trabalhadores . Também conhecemos um convento, onde as freiras eram enclausuradas e que até hoje existem as que vivem atrás das grades, após isso voltamos ao barzinho do grupo, para aguardar o esperado ônibus. Quando nos avisaram que o ônibus nos aguardava e eu levantei para me dirigir até ele, havia uma muvuca de final de tarde de domingo e percebo que uma senhora argentina se aproximando de mim me disse baixinho “Sierra lá tu bolsa”...Então, ao passar a mão, percebi que haviam me roubado a carteira. Me deu 500 tipos de calafrios e piripaques...Olhei em volta e parecia que todos haviam me roubado, muita gente, era final de tarde, final de missa, quem poderia ter sido o infame que me levou meus parcos pesos, todos meus documentos e meus cartões? Entrei literalmente num “declive emocional“ - -Me odiei, me xinguei, me culpei. As pernas bambearam, mas em fim, embarcar era preciso, respirei fundo e pensei: pedirei dinheiro emprestado, não vou estragar a viagem dos outros, mas do que já está estragada por si só...
Antes de partirmos, num orelhão tentei ligar para casa, para pedir que o marido tentasse cancelar meus cartões e não consegui, o sistema telefônico da Argentina é péssimo. A agente de viagens Regina também tentou e nada, tentei o 0800 do VISA, que eu sabia de cor e também não tive sucesso, até que uma colega de viagem, moradora de Mangueirinha, que tem uma irmã gerente de um Banco Itaú, conseguiu falar com ela e explicou o meu caso, passei meus dados e a mesma conseguiu cancelar o que era possível, voltado de viagem, vim saber que a tal gerente era minha Gerente, da Agencia do Itaú de Pato Branco...Pouca sorte!!!
Em fim, acalmo-me e quero tentar esquecer e dormir, a solange me deu um ansiolítico, que me fez desmaiar a noite toda, dormi sem preocupações, mas ao acordar o pesadelo: Com que dinheiro eu tomaria café? Almoçaria? Beberia água?Eis que ali, perdida em meus pensamentos levanta-se uma colega e me entrega um envelope amarelo, e me disse: “isso nos arrecadamos para te ajudar a continuar a viagem, contando piadas, cantando e rindo...se precisar mais avise-nos...” Abri o envelope, e chorei, havia muitos pesos, contei, havia quase a quantia que eu levava na carteira, se eu economizasse não iria faltar para comer. Fiquei muito feliz por não me sentir mais desamparada.Uma vez que já estava sem lenços e sem documentos. Por que todos sabemos que dinheiro não é problema é a solução, ainda mais em pais estranho. A Viagem continuou, longa, interminável, não havia nada na beira do caminho pra se comer, pra se mijar, pra se esticar o corpo, chovia, chovia, longas plantações de pomares... Mas eu dormia...nem sentia tanta falta de parar, mas o grupo reclamava, foram 32h de viagem sem encontrar um lugar que atendessem os nossos grupos...éramos em dois ônibus, com 70 pessoas...

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