domingo, 7 de março de 2010

Saindo de Pato Branco destino Buenos Aires




Dia 08 de outubro de 2004, às 9hs da manhã, dois grupos de colegas e familiares em dois ônibus da Viação pelizzer, saímos de Pato Branco, com destino a Bariloche, Patagônia, Argentina, ponto mais distante de nossa viagem. Nosso grupo menor, ocupava um ônibus Leito, carinhosamente chamado de The Best, por ser novíssimo. Neste dia, passamos pelo Oeste catarinense, por sobre a Ponte do Rio das Antas e almoçamos em Carazinho,RS, continuando a viagem passamos por Ijui, Santo Ângelo, Itaqui, Uruguaina, Passo de Los Libres, onde há a ADUANA e onde permanecemos detidos longas horas para averiguações de documentação de nossa turma, pois cinco pessoas apresentavam irregularidades na parte burocrática como:
•Dois menores sem autorização dos pais para viajar;
•Dois aposentados com identidades militares...(se achando);
•Uma adolescente com apenas o xérox da Identidade...

Já cansados no 2º dia...



Depois de 10 hs parados, sentados, cansados, acordados, estressados, calados, envergonhados, finalmente fomos liberados em meio as humilhações dos aduaneiros, e ainda por alguns quilometros a polícia Argentina nos seguiu e nos parou, fazendo com que os motoristas abrissem os guarda-volumes, revistassem as nossas bagagens e cobrassem comida como "propina", coca-cola e caixas de Bombons Garotos que levávamos para a longa viagem. Depois deste episódio, amargamos a mesmice do trânsito por longos e longos quilometros, numa interminável reta, numa paisagem sempre repetitiva, um horizonte sem fim, com um céu azul de doer os olhos e uma absurda falta de novidade.
Finalmente, as 17h, passamos por um túnel subaquático impressionante, sob o Rio Paraná, na cidade de Paraná, daí até Santa Fé foi um festival de pontes, muitas pontes, de cima de uma, enxergávamos outras cinco ou seis, parecia que todo o trânsito era sobre rios, observamos muito assoreamento, dragas retirando areia. Ao mesmo tempo chamou nossa atenção a arquitetura que predomina na cidade: construção de tijolos a vista, sem reboco, cores escuras, sombrias, antigas, muita sujeira, muito mau cheiro, muitas obras, operários, máquinas barulhentas, manilhas ao longo do caminho, carros velhos estacionados, rodando, buzinando, gritos, rios, águas, córregos, alagados, montes de areias, homens sujos, mulheres alheias aquilo tudo, andando grávidas, com outro bebê nas ancas, crianças sujas, ranhentas, em trajes sumários, caras encardidas, sorriso desconfiado, bocas sem dentes, brincando nas areias, nos entulhos, nas águas paradas, nos lixões a céu aberto, rindo, se pegando ao meio de bandos de Urubus, cães, porcos e gatos, todos se confundiam mas convivendo em perfeita harmonia, como se fosse muito normal. Mais a frente, sempre rumando ao centro da Argentina, avistamos prédios abandonados, depredados, cavalos pastando nas praças, nos terrenos, cães virando as lixeiras, então percebemos um favelão em meio a um lixão desumano, urubus, crianças disputando restos de alimentos. Continuando a viagem, sem esquecer o que vimos, mas já percebendo outras nuances, novamente nos deparamos com outros rios, afluentes, pontes, pontilhões, passarelas, pinguelas. Estávamos na cidade de Santa Fé, muito antiga, semi destruída, histórica, famosa nos livros de história da colonização gaúcha, porém deprimente. Moinhos velhos, fábricas desativas, Igrejas enormes e escuras, silos mofados permeiam a histórica cidade e logo ali, outra reta infinita e uma planície sem fim, pontuada de lagoas, pântanos, campinhos de futebol, casas velhas, galpões abandonados, construções em ruínas uma vegetação rasa e seca, torres com cata ventos, estradas de ferro abandonadas, postes de redes elétricas apoiados para não cair, sítios em decadência e nosso ônibus com destino a Córdoba e nos falaram que ainda teríamos 300 km de percurso. Mentira! Os meus colegas dormindo, eu com máquina de filme ainda, só havia 3 colegas com câmeras digitais na turma, mas quem tinha guardava a 7 chaves...Mas lá fora é tudo quase sempre igual, aqui e ali algum sinal de fé. Nas margens do caminho alguns pequenos santuários com cruzes, velas e flores em meio a retas infinitas. Mas eis que em meio esta monotonia surge uma gigante plantação de trigo que vai além de onde meus olhos alcançam. Ao longo, a direita, conecto com uma torre branca de uma linda igreja e fiquei pensando, imaginando, querendo saber: que cidade poderia ser aquela que mal se via? queria fotografar, mas ela ficou para trás e se perdeu na distância. Continuo minha leitura de viagem, enquanto todos dormem. Entre uma fazenda e outra muitos tubos enormes à margem da rodovia e eu me questionando: para que servirão? E penso que serão utilizados para canalizar as águas.
E lá, no meio de uma enorme plantação, percebe-se a sede de uma fazenda, casas, galpões, tratores, caminhão, um hangar, duas locomotivas desativadas o velho e o novo me confundindo, o lixo e o luxo convivendo.
Enquanto isso, lá fora, na rodovia uma monotonia sem fim, aqui dentro um silêncio assustador, como as pessoas podem dormir e deixar passar estas cenas lá fora?
Eu, mesmo incrédula, continuo olhando para fora e na medida do possível escrevendo para pensar depois, se isso foi real ou se foi sonho meu. Converso com o motorista e ele me informa que enormes rolos que se vê ao longe não são tubos, mas pasto para o gado, devidamente seco e enrolado para trata-los no inverno ou na entre safra, porque na Argentina os invernos são rigorosos.E que, também, há enormes reservatórios de água, que serão utilizados nas fazendas nos períodos de estiagem. Mas nossa viagem ia bem até chegarmos na cidade de São Francisco, onde paramos para jantar e ali mesmo nosso ônibus, o The Best, apresentou problemas mecânicos. Após jantarmos ficamos sabendo que o ônibus só seria consertado após um técnico da cidade de Erechim, RS, vir para São Francisco ver o defeito, pois o ônibus é novo, está com Garantia de fábrica, só a empresa responsável poderá abri-lo. Então sugerimos que nos mandassem um outro ônibus, mas ficamos sabendo que não havia nenhum outro disponível, o jeito era torcer para este técnico chegar rápido. Então a solução foi irmos até a rodoviária , comprar bilhetes no Expresson São Francisco e rumar até Córdoba que ficava a 215 km de distância de onde estávamos, durante o trajeto, foi uma loucura.
Jovens falantes, moças fumantes, pessoas viajando levando animais, mochilas sujas, jogavam as coisas no chão, amontoavam-se, olhavam bem para nossas caras, pareciam que zombavam e nós, nos olhávamos, incrédulas. Afinal, estamos invadindo a cultura de outro pais!!

Córdoba inesquecível!!




Desembarcamos em Córdoba, a 1h da manhã do dia 10 de outubro, felizmente num ótimo hotel onde ficamos eu a Ivete e a Mariângela, torcendo pra que logo pela manhã nosso ônibus estivesse pronto, pois nossa viagem já estava atrasada mais de 12h e teríamos um belo Tour, pela Córdoba histórica já incluso no pacote...rssssssss, mas qual foi nossa surpresa quando nos avisaram que deveríamos embarcar numa circular caindo aos pedaços e completamente suja, imunda, fética, rangindo, solavancando mas que era autorizada pela prefeitura municipal, com acompanhamento de uma guia, que só se comunicava em espanhol, muito simpática, porém pouco dava pra ouvir e menos para entendê-la. Aproveitamos e tiramos fotos de Igrejas seculares, praças cheias de obeliscos, afrescos, monumentos. As praças lotadas com famílias fazendo piqueniques ao sol, lá faz frio demais, idosos sentados conversando, de mãos dadas, caminhando devagar, pessoas mais jovens deitadas, abraçadas, caminhando, conversando. Nada de agarro, de beijos, de cenas picantes em público.
Neste dia almoçamos num Comedor enorme, chiquérrimo, 14 pesos por refeição, cerveja de litro, garçons sérios, fazíamos que rissem, que tirassem fotos conosco, a comida era feita no centro do restaurante, a gente podia ficar assistindo fazer nosso prato.Parecia até que eu começava a gostar da Argentina...
Após este almoço fomos ao um shopping para passar as horas, pois nada de nosso ônibus ficar pronto, aliás, nada nem de notícias, nossa corretora de viagens se fazia de surda! Mas chegou um zum-zum que as 16h o ônibus nos pegaria ali, em frente ao shopping. Visitamos uma feira-regional-local muito famosa, mas fedida, muita coisa de couro, velharias, ali se vende, se troca, se barganha, se explora. Muita sujeira, moscas, comidas vendidas sem higiene, cheiro de fritura, cães, idosos, antiguidades, cupins, tudo muito caro, tudo muito feio. Não senti vontade de comprar nada, não queria nem tocar naquelas coisas, pensando que poderia ver coisas bem melhores, pelo menos esperava.
Depois desta frustração, um grupo foi para um boteco em frente o shopping para tomar cerveja de litro: Kilmer, cada um pagava uma...Meu Deus, a gente pensava só em dormir quando o ônibus chegasse e teríamos a noite toda pela frente, para tirar o atraso. Então nos comunicaram que o ônibus nos pegaria pontualmente as 20hs ali próximo. Eu, a Carrapicha, a Mariângela, a Néri Boquessi o esposo e um casal de Mangueirinha e mais outras 4 pessoas saímos para visitar um bairro de Córdoba famosíssimo nos livros de histórias, onde se localizam muitas Igrejas, bibliotecas, a primeira Faculdade, conventos, museus seculares, a catedral mais antiga que levou 200 anos para ser construída e nela existem três estilos de arquitetura de épocas diferentes, pois foram diversas congregações de padres, as responsáveis pela edificação e construção. O guia nos informou que a abóbada caiu três vezes durante sua construção e que matou muitos trabalhadores . Também conhecemos um convento, onde as freiras eram enclausuradas e que até hoje existem as que vivem atrás das grades, após isso voltamos ao barzinho do grupo, para aguardar o esperado ônibus. Quando nos avisaram que o ônibus nos aguardava e eu levantei para me dirigir até ele, havia uma muvuca de final de tarde de domingo e percebo que uma senhora argentina se aproximando de mim me disse baixinho “Sierra lá tu bolsa”...Então, ao passar a mão, percebi que haviam me roubado a carteira. Me deu 500 tipos de calafrios e piripaques...Olhei em volta e parecia que todos haviam me roubado, muita gente, era final de tarde, final de missa, quem poderia ter sido o infame que me levou meus parcos pesos, todos meus documentos e meus cartões? Entrei literalmente num “declive emocional“ - -Me odiei, me xinguei, me culpei. As pernas bambearam, mas em fim, embarcar era preciso, respirei fundo e pensei: pedirei dinheiro emprestado, não vou estragar a viagem dos outros, mas do que já está estragada por si só...
Antes de partirmos, num orelhão tentei ligar para casa, para pedir que o marido tentasse cancelar meus cartões e não consegui, o sistema telefônico da Argentina é péssimo. A agente de viagens Regina também tentou e nada, tentei o 0800 do VISA, que eu sabia de cor e também não tive sucesso, até que uma colega de viagem, moradora de Mangueirinha, que tem uma irmã gerente de um Banco Itaú, conseguiu falar com ela e explicou o meu caso, passei meus dados e a mesma conseguiu cancelar o que era possível, voltado de viagem, vim saber que a tal gerente era minha Gerente, da Agencia do Itaú de Pato Branco...Pouca sorte!!!
Em fim, acalmo-me e quero tentar esquecer e dormir, a solange me deu um ansiolítico, que me fez desmaiar a noite toda, dormi sem preocupações, mas ao acordar o pesadelo: Com que dinheiro eu tomaria café? Almoçaria? Beberia água?Eis que ali, perdida em meus pensamentos levanta-se uma colega e me entrega um envelope amarelo, e me disse: “isso nos arrecadamos para te ajudar a continuar a viagem, contando piadas, cantando e rindo...se precisar mais avise-nos...” Abri o envelope, e chorei, havia muitos pesos, contei, havia quase a quantia que eu levava na carteira, se eu economizasse não iria faltar para comer. Fiquei muito feliz por não me sentir mais desamparada.Uma vez que já estava sem lenços e sem documentos. Por que todos sabemos que dinheiro não é problema é a solução, ainda mais em pais estranho. A Viagem continuou, longa, interminável, não havia nada na beira do caminho pra se comer, pra se mijar, pra se esticar o corpo, chovia, chovia, longas plantações de pomares... Mas eu dormia...nem sentia tanta falta de parar, mas o grupo reclamava, foram 32h de viagem sem encontrar um lugar que atendessem os nossos grupos...éramos em dois ônibus, com 70 pessoas...

Deserto 4º dia... Como chove!!!




Seu Tônico e dona Tinica, um casal muito simpático de Mangueirinha, brincavam comigo dizendo que bebi tanto que deixei os argentinos sacar minha carteira...eu só posso rir...fazer o que? Mas me prometem que não vão me deixar passar sede de Kilmer de litro. E para essas horas precisamos de muitos amigos, pra dividir os pratos, quando são enormes, e dividir as cervejas quando são de litro e beber para esquecer, principalmente.
Mas me volta o filme: Por que fui roubada após tomar umas cervejas de litro junto com outras 10 pessoas? E principalmente, por que ser roubada logo após ter entrado em 4 grandes e históricas igrejas, rezado, me benzendo? Também teve uma caipirinha de Tequila com lima que seu Clóvis me fez experimentar num canudinho....Eu me empolguei, me alegrei, fiquei facinha...facinha (para os ladrões).Bom, concluo que não vale a pena achar culpados e nem procurar justificativas, mas nesse episódio comprova-se que há “ malas que vão para o trem e outras vão para a Argentina”...
Em fim dia 11 de outubro ainda.... Tomamos café fomos ao banheiro possivelmente num lugar chamado Santa Rosa e pelo que nos informaram, ainda estamos a mil km de bariloche, quanta estrada, sempre igual, sempre em frente, sempre retas, o infinito infinitamente enorme, o céu nublado,às vezes muita chuva, outras vezes menos, muito frio. Finalmente as 9.30, a paisagem se modifica drasticamente e entramos numa região montanhosa, com picos bem definidos, mas isso durou pouco, logo fomos surpreendidos por lagoas enormes, com grandes extensões de areia e lagos, pequenas vilas e pelo mapa que conferimos parece ser “lagos dos pampas” lá pelas 11hs avistamos um outro enorme lago e ficamos sabendo que estávamos sobre a casa de Pedra, uma barragem em pleno deserto, mas as águas são claríssimas e de um azul deslumbrante de doer os olhos.

Metade da viagem....



Após isso, muitos e muitos quilômetros e a mesma mesmice de sempre até chegarmos em General Rocas e então uma região coberta de plantações de muitas variedades de pomares, onde identificamos granjas de pêssegos, nectarinas, uvas, peras e maçãs de toas as espécies e tamanhos e mais adiante uma enorme Cooperativa, mas gente, carros ou qualquer movimentos de almas vivas,não havia nenhum, muito estranho! Só víamos a existência de nossos ônibus cortando aqueles desertos, aquelas estradas... Dois ônibus perdidos na sempre reta e plana rodovia. Estamos com fome, ansiosos por avistar “ um comedor “ que satisfaça as nossas necessidades vitais: Ir ao banheiro, lavar as mãos, comer e nem sinal. Porém, quando tudo parecia perdido eis que avistamos um local agradável onde poderíamos parar, esticar, telefonar, almoçar, rir um pouco, interagir com os colegas do outro ônibus em fim, o almoço foi muito divertido. Nossa mesa simpatizou com um simpático garçom de nome Gastão ou Gaton rssss... com ele tiramos fotos, pedimos seu e-mail brincamos e tiramos muito sarro da Maristela dizendo que queremos formar um casal real e que eles terão dois filhos que se chamarão Mariston e gastela... Após as 14.30hs embarcamos novamente rumo ao nosso destino e pelas placas e relevo que vemos, chegamos a conclusão que estamos perto da Patagônia. Muito deserto, muitas chapadas e muitos lagos azuis enormes. Descobrimos leitos de rios completamente secos, por onde deve descer a neve em forma de águas derretidas das montanhas, muito interessante e são centenas de Kms sempre assim, muitos lagos, e mtos leitos secos. OBA!!!! Uma placa anuncia: Bariloche a 350 km . E lá vamos nós observando a paisagem que se perde no horizonte anunciando muito frio pela frente e todos puxam seus agasalhos, casacos, cobertores . Um violeiro e um sanfoneiro que viajam conosco começam a fazer um barulhão de sons, enquanto arriscávamos puxar umas músicas bregas, declamar alguns poemas e assim fomos passando o tempo, rindo e inventando artes. E lá fora, frio, pancadas de chuvas, ventos, e muita estrada e começamos a observar o alto das montanhas cobertos de neve com uma pitada de sol, que alegria....lá, ao longe, neve e sol, aqui perto frio e chuva, que contrastes!!!! Estamos a 100km de Bariloche, lá fora, agora neva, todos comemoramos, gritamos, alguns choram....(eu)
Em fim chegamos a Bariloche, descemos malas. São 9hs. Hotel muito bom, bem localizado, na famosa Mitri, aquecido. Tomamos banho, nos agasalhamos e fomos procurar um local para jantarmos: Eu Ivete, Mariângela, Bernadete, João Carlos enfim encontramos uma cantina,onde pedimos uma sopa de creme quente acompanhada de vinhos. Meia noite nos recolhemos a nossas insignificância...

Coisas de loucos...



Durante estas longas horas de ônibus, no deserto Patagônico, houveram momentos muito divertidos...
Tínhamos um motorista que tocava gaita, um colega que dedilhava um violão e todos os outros éramos cantores (de araque)...
Tudo servia para animar, alegrar, diminuir o tédio das chuvas e falta de pontos de parada durante a viagem.
A Maristela, a Solange e o Felipe, jogavam baralho...acreditem!!
A Mariangela, que domina a língua espanhola, animava a Rádio La Plata, além de ser nossa intérprete. Eu criei um horóscopo para cada signo, conforme o humor das pessoas a bordo:

Horóscopo Personalizado/viagem Argentina.

Áries – o dia será favorável à convivência entre amigos, conversa fiada, muita fofoca e boas gargalhadas com salgadinhos para acompanhamento.

Touro – Ideal para uma partida de baralho permeada de piadas, chimarrão e música brega, sujeito a desentendimentos no final das cantoria ou do dia.

Gêmeos – Reserve o dia para o repouso forçado, esteja aberto para conhecer pessoas novas e enfrentar as dificuldades com bom humor. Torça pra não ter que trocar pneus!

Câncer – Relaxe, hoje você está livre dos cobradores, eles não te localizarão nem por satélite.

Leão- Acalme-se e lembre-se Tudo na vida é passageiro, menos o motorista e o cobrador.

Virgem- Lembre-se a 1ª vez a gente nunca esquece, tente não dificultar ainda mais as coisas, ou dá ou desce!

Libra – Nada que um dia após o outro e uma noite bem dormida no meio. Amanhã será um novo dia, aguarde, tudo se repetirá.

Escorpião - Há malas que vem pelo trem, outras vão para qualquer lugar, mas escolha uma de rodinhas por que o caminho é longo.

Sagitário – Se você acordou de mau-humor, teve uma noite mal dormida, escove os dentes e sorria para as fotografias e as boas companhias.

Capricórnio- O dia promete ser longo, previsão de pancadas isoladas, eu mesma ando louca para espancar alguém.

Aquário – Não desanime, na guerra é bem pior, e nesta luta não estamos sós. O bom dá vida é ser dinâmico.

Peixes – Não está morto quem peleia e o dia estará ótimo para beber, cair levantar, deitar e dormir.

6º dia em BARILOCHE....ÊÊÊ...



Hoje o dia amanheceu dourado e gélido. Nada melhor que um maravilhoso café da manhã. Maravilhoso...Como? Aqui na Argentina os cafés são parcos...mas enfim, não há como reclamar: café quase preto e pão com margarina..pão ruimmmm...que saudade do Pão da Panificadora Sta Terezinha!!! Mas esqueça o café...vamos ao Tour por Bariloche....e uma guia Adriane, nos apresenta todos os pontos turísticos, lagos, lendas, condors, hotéis, igrejas, cemitérios, montanhas e os teleféricos panorâmicos...Ainda pela manhã conhecemos o Monte da Campanaria, uma vista linda que alcançamos após subirmos por 15 minutos num teleférico assustador, em duplas, pagando 15 reais cada. Mas valeu!!...Após sermos conduzidos até a base de Ski Serro Cadtedral , a 2.140m de altitude, almoçamos muito bem e pagamos muito caro. O João Carlos Valenga, marido da Bernadete, louco para comer um pedaço de bolo, quase teve uma indigestão ao pagar 5 pesos. Maior indigestão sentiu quando pegou um cafezinho preto e ao sair foi cobrado: $ 2,50...reclamou: “ No Brasil, cafezinho é cortesia”...Após estas trapalhadas e risadas fomos nos paramentar com agasalhos, luvas, calçados, gorros adequados para o frio, alugados numa loja especializada e nos preparar para um passeio que estava incluso no pacote de viagem, um tour de teleférico ao cume do Cerro Catedral totalizando os 2.140 m de altura,..ai, ai, ai...Eu, Mariângela e Ivete só conseguimos chegar na segunda Estação, onde brincamos, tiramos fotos, construímos bonecos de neves, conversamos com outros turistas medrosos, caímos, rolamos, nos jogamos neve. O previsto era fazermos as três estações com duração de 15 minutos cada uma, que eram intermináveis......Teve quem conseguiu chegar lá no topo e quase morremos de inveja das corajosas: como Solange, Fátima, Maristela...O problema era muito vento, balanço, vulnerabilidade, frio e muita altura e o medo do teleférico despencar....a paisagem vista no horizonte era lindíssima, mas se olhássemos abaixo de nossos pés era temerosa...Não bastava apenas subir até a segunda estação, precisávamos voltar...e era preciso enfrentar novamente o teleférico...tudo novamente. Mas valeu, valeu, valeu!!!
Às 18 hs fomos liberados na cidade de Bariloche para algumas compras, onde fomos em busca de lembrancinhas , artesanatos, chocolates, etc. às 19.30hs retornávamos embriagadas pelo maravilhoso passeio num belo dia de sol e neve em Bariloche. No ônibus fizemos entrar no ar a “Radio La Plata” e a cantoria começou com Tônico, Tinica e o motorista gaiteiro. Lá pelas tantas desliga-se as luzes e hora de dormir e descansar.

Hoje faz 7 dias que viajamos...



Eu acordei as 8.30 do dia 13 de outubro e havíamos percorrido 1000 km durante a longa, chuvosa e fria noite patagônica. A minha direita eu só vejo um banhadão. Não sei se é água de chuva parada ou se é um enorme lago natural, pois esta imagem já dura muito tempo e chove torrencialmente sem tréguas...E nós todos com muita fome e nada de encontrarmos um comedor digno de nosso apetite, onde possamos ir a um banheiro, tomar um bom e reforçado café..(ah os cafés da Argentina são tristes, parcos).
O ônibus roda a aproximadamente 40km/h. A previsão é de chegarmos a Buenos Aires as 15hs. Duas curiosidades me chamam a atenção: Em cada sede de propriedade há uma torre com uma espécie de moinho suspenso que gira e ao lado grandes reservatórios de água, a outra são as mini capelinhas com nomes escritos ”Defunta Corea” e outra inscrição que não conseguimos ler. As capelinhas parecem casinhas de cachorro, mas possuem sempre uma cruz, flores, bebidas e muitas possuem bandeiras vermelhas. Neste pais também não há florestas, bosques, matagal, tudo é deserto, descampado, alagado, cerrado e plano, muito plano. Já é meio-dia e ainda não paramos para irmos ao banheiro, tomar café ou outra coisa que quiséssemos. Não há estabelecimento nas margem da estrada que comporte 70 pessoas famintas e então seguimos com a chuva, frio e filme “ Quebrando o Gelo” . Finalmente as 13.30 hs paramos num local chamado Azul: tirei fotos com a Maristela e comemos maaaaaal, queríamos comprar 2 mapas da Argentina, mas não aceitaram nossos cartões de crédito, de raiva abri o freezer dos Gelatos e roubei uma fatia de sorvete, sai lambendo e não paguei. Senti frio, vento gelado na cara, amortecimento da boca, a sensação térmica é mto baixa, estamos a 306 km de Buenos Aires e são 14.30hs.
Seguimos viagem a Guia embarca no nosso ônibus e nos repassa alguns avisos importantes como horários, restaurantes, cassinos. O ônibus nos levará e nos esperará num Navio Cassino. Todos vamos, cambinamos que não vamos jogar! Rsss...
Estamos a 80 km do nosso destino tão esperado. Vejo fazendas de gado, outras de eqüinos, plantações verdes, grandes galpões, e a rodovia sempre reta e lá de vez em quando uma praça de pedágio. Lá fora está muito frio, faz ventos fortes e a chuva deu uma sossegada. Observo que as pessoas estão muito agasalhadas lá fora, imagino que vou passar frio.
Agora o trânsito se intensificou, trafegam tranquilamente caminhões pesados, carros novos, latas velhas. Na margem do asfalto muito lixo jogado, cachorros magros, sarnentos, procurando alimento, aliás, cães neste pais convivem bem em qualquer lugar, tanto nas cidades quanto nos lixos, quanto em postos de gasolinas e restaurantes...A comida daqui é ruim, sem sal, e sem tempero algum, sem boa aparência, fria e cara. Os ambientes são escuros, sujos, mofados, mal iluminados. A cerveja é de litro e custa 4 pesos, a água e o refrigerante e o copo de chocolate quente 3 pesos. As pessoas falam alto, são sem modos, não dão descontos, não são agradáveis, não te atendem bem nas lojas. Agora rodamos numa rodovia muito movimentada, com mão única, muito bem sinalizada. Estamos a 50km de Buenos Aires. Ao longe avistamos lindas residências, bem cercadas. Já são quase 18 hs, estamos todos mortos de cansados a quase 24hs viajando, nosso repertório de piadas secou. Nossa rádio entrou no ar sem muitas novidades. Queremos urgentemente hotel e banho...Percebo que há canais que cortam as fazendas cheios de água, acredito que sirvam para irrigação. Finalmente chegamos a Buenos Aires em meio a uma confusão de favelas, trânsito maluco, prédios antigos, porém bem conservados, edifícios craquentos, vidraças quebradas, calçadas em reformas. Chegamos bem na hora mais crítica do dia, são 18.30 estacionamos no Íbis Hotel na Praça do congresso, Centro da cidade. Que coisa boa, Hotel bom, camas boas, limpas, quentes, e banho maravilhoso. No quarto ficamos eu e Ivete. Fomos jantar aqui perto. Foi bom. Voltamos logo, a Mariângela quis sentar para tomarmos umas Kilmers. Havia alguns argentinos cantando maravilhosamente bem e nos olhando com olhares mordedores....Alguns colegas subiram aos quartos e outras saíram para a balada argentina. Meia noite nos recolhemos... Ufa! Que cama boaaaaaaaa!!!!

Quase voltando...



Hoje acordamos no dia 14 de outubro, o guia deu um cano no grupo e tivemos que modificar o roteiro turístico que fariamos, então fomos aos passeios e compras, cada um onde quis, conforme d dinheiro dava. Comprei muitos bibelôs badulaques, bolsas, bijus, mimos e porcarias numa loja tipo 1,99, mas um pouco mais chique. Às 18 h estávamos no Hotel nos emperequetando para a noite de "Tangos na Argentina" que nos espera. Todos impecavelmente vestidos fomos a "casa de show Ventana" , que noite. Foi o melhor show de tangos que vi na minha vida (nunca tinha visto outro). Dançarinos, músicos, cantores, boa comida, bom atendimento. Foi o máximo, o auge de nossa viagem. Esquecemos tudo o que houve de negativo, pelo menos por enquanto... Agora estamos arrumando as malas, amanhã faremos o tour pela city e após meio-dia partiremos rumo ao Brasil querido. Estou morrendo de saudades e ao ouvir os tangos me emocionei muito, chorei várias vezes, inclusive cheguei pensar que em outras épocas vivi aqui na Argentina!

Hoje é o 9º dia...Ufaaaa!!!



Estamos no dia 15 de outubro, a caminho do tour que deveria ter acontecido ontem. Nossa guia chama-se Soledad e nos orienta sobre todos os pontos marcantes da Capital Argentina. Na Praça de Maio aconteceu a fundação da cidade em 1580 e ficou mundialmente conhecida em 2001, quando as pessoas foram reclamar em praça pública melhores condições financeiras. Em 1810 houve a Revolução de Maio, onde os argentinos buscavam libertar-se da colônia da Espanha, mas só em 1816 houve a Independência. Buenos Aires possui 3000.000 habitantes na cidade e 12000.000 em toda a abrangência (cidade e interiror). A República Argentina tem 23 províncias. A Avenida 9 de Julho tem 140m de largura com 8 pistas para cada mão. Buenos Aires tem 47 bairros. O Cabildo em 1726 foi a 1ª casa do governo hoje é um museu. Paramos 1h no Caminito, tiramos fotos, brincamos com os dançarinos, olhamos lojas, ensaiamos tangos. Este bairro , ao lado do Rio Riachuelo, muito poluído, também cercado de pobreza, mas muito colorido, simpático, é um dos símbolos do turismo do pais. Saindo dali fomos ao Centro Financeiro, que já foi um bairro de armazéns no porto de madeiras, por isso, por aqui, todos os edifícios são exatamente iguais, com tijolos a vista, tiramos muitas fotos...Agora estamos passando a frente da Praça onde homenageiam os “Caídos na guerra das Malvinas”! Aqui há muitas praças, muitos monumentos, muitos bustos, muitos cães, que fazem coco e xixi em qualquer coluna. (passei mal e fiz ânsias muitas vezes,meus bofes querem sair de tanto nojo)... muitos pombos, cagadas pelo chão e pelos ares...temos que andar de “ toca”, muita sujeira pelo chão, ninguém põe os lixos em lixeiras.... Agora estamos no bairro Palermo, onde há muitos clubes recreativos. Aqui cada família tem um “perro” cachorro. Visitamos o Parque das Rosas, lindo, lindo..mas tem mais gente andando com cachorros do que gente sozinha ou com outras gentes!! Daqui vamos ao Bairro Ricoleta, onde avistamos a casa de Evita Perón na qual viveu e morreu aos 32 anos, em 1952. Paramos no ponto mais caro de Buenos Aires, onde fomos numa feirinha cheia de novidades e ali comprei meu presente para o Airone, uma carteira masculina de couro por 15.00. Daqui vamos almoçar perto da Praça do Congresso, bem no Centro da cidade, onde eu, quase sem dinheiro, preferi andar pelas redondezas e tirar fotos, a comer. As 14hs estávamos no ônibus, prontos para o retorno e fomos passando pelo Estádio Mar Del Plata, Aeroporto Internacional, favelas deprimentes, condomínios de classe média e enfim saímos da cidade e pegamos a enorme rodovia. Todos estamos exaustos e com saudades de tudo e de todos do Brasil. Eu estou com muita saudades do Airone (na época era bem vivo) e dos meus filhotes. Quero relaxar, descansar e dormir. Penso que sou a pessoa que menos dormiu e que mais olhou, observou e escreveu nesta viagem.

Curiosidades da Argentina - último dia...




Por onde anda-se depara-se com confeitarias, bancas de revistas, bombonieres,muitas praças e monumentos, muitos cães soltos, famintos, mansos, muitos pombos nas árvores, no chão e sobrevoando os monumentos, procurando comida, muitos kioskos onde vende-se cigarros, revistas, doces e café. Consomem muito doce de leite e alfajors. O café é muito caro e também é vendido nas ruas, por mulheres, em garrafas térmicas, em carrinhos como os nosso carrinhos de sorvete brasileiros. Aqui o café não é servido como cortesia. Há muitos mendigos pelas ruas, nas calçadas. O povo é muito religioso. Há muitas igrejas católicas. Os homens são muito elegantes e gentis. As mulheres são feias, muito maquiadas e se vestem com roupas muito coloridas e fora de moda. Há muitas igrejinhas minúsculas às margens das estradas, parecem homenagear mortos (descobri em Chajari, perguntando para um garçom, que se trata de Igrejinhas construídas onde aconteceram acidentes vitimando pessoas). Muitos cata ventos nas propriedades agrícolas. Por aqui não comem arroz e nem feijão. Estranho!!! Mas comem muito croassant, o pão não é sovado e nem tão assado. Come-se muita “papa” e “pollo” ou seja: batatas e frango. A aparência da comida não é agradável, como também não é saborosa, pois usam pouco tempero e pouco cozimento. As carnes são assadas em grelhas. Bifes de choriço, são feitos na chapa quente. Paramos a 100 km da fronteira com o Brasil, numa cidade chamada Chajari, onde lanchamos, comprei um mapa da província de Corrientes. Às 10.30 hs chegamos em Paços de los Libres, onde ficamos mais de 1 h aguardando a liberação para seguirmos viagem rumo a nossa terra. Enfim partimos em meio a um enorme temporal que só eu assisti, pois, todos dormem, eu estou ansiosa, excitada com o retorno. O temporal me dá medo. Enfim as 7 h chegamos em Panambi, RS, para tomar um bom, delicioso e brasileiro café da manhã, eu estou completamente sem voz, pois o ar condicionado me fez muito mal. Os motoristas nos avisam que estamos a 400km de Pato Branco. Seguimos viagem com música, risadas, conversas, planos,recordações e ao meio dia almoçamos muito bem numa churrascaria em Abelardo Luz, onde matamos a fome de comida brasileira de verdade...saborosa, temperada, bem feita...Agora é só relaxar e chegar em Pato lá pelas 15 hs.
Deu tudo certo. Na chegada uma oração para agradecer a Deus pela grande aventura de conhecer a Argentina de ônibus e promessas de nos reencontrar para ver as fotos!!!